Este post destina-se a responder a algumas perguntas que me têm feito ultimamente...
“Mas tu és Astrólogo? Tens alguma relação com a Igreja Católica? Vais para padre?!...
Apesar dos comentários serem de cariz jocoso, requerem, talvez, algum esclarecimento.
As perguntas referem-se aos livros que, por diversas razões, tive a oportunidade de editar.
Durante alguns anos colaborei com algumas editoras como coordenador editorial.
Nas editoras de menor dimensão um coordenador editorial é, em grande medida, o mesmo que autor, mas sem os direitos, royalties, pois trabalha em regime de contrato para a editora…
Mais concretamente, uma editora pode encomendar estudos de mercado para perceber o que o mercado necessita em termos de publicações. Posteriormente é gerado um orçamento, estabelecido um calendário e o coordenador editorial tem a função de pôr em andamento tudo o que é necessário para que o livro seja publicado: Texto, ilustrações, paginação, correcção ortográfica, pré-impressão e impressão.
No caso de o coordenador editorial ser pago “à peça”, quanto mais este fizer e menos “sub-contratar”, mais ganha (mais sobra do orçamento inicial).
No meu caso, a editora encarregou-me, por exemplo, de fazer uma Bíblia Infantil.
O que é que eu fiz? Li a Bíblia (várias vezes!!) e condensei tudo em historiazitas pequenas, com linguagem que os “putos” (publico-alvo) pudesse compreender. Contratou-se um ilustrador, um paginador e o resultado final foi este:
Eu também podia sugerir ideias para publicações. Um desses exemplos foi um livro de canções populares, para as crianças (música, claro!).
Para além de reunir muitas das melodias populares da minha meninice, achei que seria uma ferramenta útil para, por exemplo, educadores de infância, animadores culturais, etc.
Pesquisei em bibliotecas, lojas de música, na Internet, etc., músicas populares e antigas, muitas já “perdidas” no tempo. Fiz as partituras, contratou-se um ilustrador para as imagens relacionadas com as músicas et voilá:
Ah, Isto já foi há vários anos, pelo que as músicas são na sua versão original e não na “politicamente correcta” (por exemplo, continua-se a atirar o “pau ao Gato”).
Um outro projecto que me deu algum gozo fazer, pela completa dissociação com o efectivo (desconhecimento total da matéria) foi um conjunto de 12 livros de signos.
Como não percebia patavina de signos e queria que me sobrasse o mais possível do orçamento inicial, andei meses a fazer pesquisa sobre a matéria: livros da “especialidade”, Internet, etc. Devorei tudo!
Compilei os factos mais relevantes e consensuais, fiz o texto para cada um dos livrinhos, contratou-se um ilustrador, eu fiz a paginação e saiu esta grande “obra de literatura”:
Por isso, respondendo aos mais engraçadinhos: não, não sou astrólogo; e não me façam perguntas de Astrologia pois aconteceu-me o que acontece frequentemente aos estudantes universitários que, quando têm de estudar para um teste, fartam-se de “marrar” e sabem tudo na ponta da língua; vão para o teste e corre lindamente mas, mal saem da sala de aula, “despejam” a informação acumulada e, se preciso for, no dia seguinte já não se recordam de metade… Assim se passou comigo.
Tive vários projectos nas editoras pelas quais passei, uns mais interessantes que outros mas, o mais engraçado, o que me deu mais gozo foi, claro está, o meu…
Os gestores/donos da editora sabiam que eu gostava de escrever, principalmente histórias, contos e fábulas.
Já vários anos antes, algumas histórias escritas por mim tinham sido editadas numa publicação escolar.
Mas isto foi diferente.
A editora precisava de um livro de histórias, mas queria alguma coisa diferente dos “típicos” livros de história.
Para o conteúdo utilizei histórias minhas e histórias adaptadas, conhecidas de todos, mas escritas “à minha maneira”. Isto permitiria, no meu entender, diversificar o tipo de história e manter o interesse dos miúdos.
Para além das “típicas” ilustrações referentes ao conteúdo, cada história teria, na página adjacente, o traço da respectiva, para que os miúdos pudessem pintar à maneira deles. No final de cada história, haveria uma página em branco (só com espaço para título e data), para que os putos fizessem um desenho do que lhes tinham acabado de ler.
Como fiz trabalhos de designer/paginador, para empresas de design e publicidade, naturalmente, quis produzir eu próprio as ilustrações. No entanto, para que as crianças se pudessem identificar verdadeiramente com as ilustrações, não poderia fazer um traço muito rebuscado e complexo. Lembrei-me de “contratar” o filho de 12 anos do gestor/dono (com aptidão assumida para o desenho) para fazer o traço. Depois, foi só pintar em Photoshop.
O resultado foi o “Histórias para a Pequenada”.
Em conclusão, esta foi uma experiência que me enriqueceu muito, não só profissionalmente mas de igual modo como indivíduo, como pessoa.
E é muito gratificante e engraçado ver/ouvir as reacções e a interpretação muito própria dos miúdos a coisas que eu próprio escrevi…
E é muito gratificante e engraçado ver/ouvir as reacções e a interpretação muito própria dos miúdos a coisas que eu próprio escrevi…





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