quarta-feira, 24 de março de 2010

Boom Festival

O que há dizer do Boom Festival?...
É um dos maiores (senão o maior) festival de Música Electrónica do mundo.
Os organizadores preferem chamar-lhe um evento cultural, que congrega vários tipos de arte: eventos de escultura, pintura, cinema, fotografia, decoração de espaços, consciência ecológica, esoterismo, ciências e medicinas alternativas, etc. tudo ligado por um fio condutor que é a música electrónica.

Onde é que tem lugar? Noutra galáxia!!:) Mais concretamente, em Indanha-a-Nova (perto de Castelo Branco).

Quando é realizado? Sempre de dois em dois anos, durante 8 ou 9 dias, apanhando a Lua Cheia de Agosto.
Tive conhecimento deste Festival através de amigos e familiares que lá tinham ido em anos anteriores.
Não percebia o entusiasmo em torno deste evento, pois o meu desconhecimento da matéria (e, confesso, algum juízo de valor) faziam-me pensar que se tratava de mais uma "rave".

Em 2004 o meu irmão foi convidado para lá ir lá tocar e, com esse convite, eram oferecidos algumas entradas gratuitas para os respectivos acompanhantes. Eu fui um dos contemplados.
Como nunca tinha visto o mano tocar ao vivo, era "à pala" e não tinha grandes planos para aquela semana, resolvi aceitar. Se me fartasse ao final do primeiro dia, vinha-me embora, pensei eu.

O que é certo é que me surpreendi muito (pela positiva).
Em primeiro lugar, a imensidão do espaço; estive lá 6 dias e não consegui ver tudo. De facto, a área disponível para o festival é maior do que qualquer outro realizado em Portugal (e eu já fui a praticamente todos).

Depois, a oferta cultural "alternativa". Desde workshops de pintura, escultura, Reyki, Shiatsu e outras massagens orientais, palestras e exposições sobre o calendário Maia, cozinha macrobiótica, vegetariana, sobre o ambiente e as melhores formas de o preservar, sessões de cinema alternativo, etc. E, claro, a variada oferta musical (sempre dentro do "género" electrónico).

Um aspecto que seguramente me cativou, e que para a altura (2004) era inovador, foi o desenvolvimento de um projecto contínuo de auto-sustentabilidade, de forma a não contaminar a natureza e educação para a consciência ecológica. Nestas práticas incluem-se o desenvolvimento de casas de banho que não usam químicos, o tratamento das águas do festival através de biotecnologias, a utilização de energias solar e eólica, recolha de óleos alimentares para biocombustível, a reciclagem de materiais e utilização de materiais reciclados (a organização vai, inclusive, recolher materiais de construção aos festivais de Verão), a organização do espaço do festival de acordo com os princípios da Permacultura, com a construção "eco-friendly" de todas as infraestruturas, etc. Estes conceitos foram, posteriormente adoptados pelos chamados "grandes festivais" como o Rock in Rio, entre outros.

O facto de estar no centro do meu país e praticamente não ouvir falar português (em 25.000 pessoas que ali convivem, cerca de 90% é estrangeira e proveniente de todos os Continentes), foi para mim uma experiência estranhamente agradável. Permitiu-me ter contacto (ao vivo) com outras gentes e costumes, formas de estar e de pensar, de vestir e até de comer que, na minha opinião, só me enriqueceram como pessoa.

O ambiente, a energia e o calor que ali se sente, amplificados pela música constante e ensurdecedora (em alguns locais - noutros, só se sente uma calma e paz típicos de lugares ermos e afastados de tudo quanto é "civilização") é verdadeiramente indescritível para quem, como eu, não fazia ideia do que ali se passava.



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