quarta-feira, 23 de março de 2011

"Este país não é para novos"

A expressão não é de minha autoria. Ouvi-a numa reportagem televisiva que falava da manifestação de dia 12, em Lisboa, Porto e outras cidades, onde os jovens demonstraram o seu descontentamento pelas condições sociais em que se encontram, num protesto denominado “da geração à rasca”.

Esta expressão deriva de uma outra, surgida nos anos 90, no seguimento de diversas manifestações estudantis contra as políticas educativas de Manuela Ferreira Leite.

“Geração Rasca” foi a frase que Vicente Jorge Silva usou para intitular um editorial do jornal Público.

Segundo este senhor, a nova geração que se manifestava não tinha convicções, valores ou princípios e era constituída por jovens irresponsáveis, indisciplinados e individualistas.

Esta geração, a minha, revelou-se, agora, ser a mais bem qualificada de sempre em Portugal.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, nunca houve neste país tantos licenciados, mestrandos ou doutorados como hoje.

Os engenheiros, investigadores, cientistas e outros profissionais produzidos pela “geração rasca” são, afinal, conceituados e reconhecidos em todo o lado pela qualidade da sua formação e pela sua produtividade.

Para exemplo, bastará enunciar o “Pacto de Competitividade” proposto pela Alemanha e França (aceite por Portugal a troco do reforço do Fundo Europeu de Resgate) que visa, entre outros objectivos, facilitar a importação alemã e francesa de engenheiros portugueses (e não só), sem qualquer contrapartida para o país “formador”.

Apesar deste facto, Medina Carreira afirmava, na iniciativa 125 minutos com..., no Casino da Figueira da Foz, em Dezembro de 2009, que a juventude portuguesa está cada vez mais rasca. “O que é que se vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga”, dizia com a verborreia que normalmente caracteriza o seu discurso.

Será o facto de “andarem por aí à solta”, não conquistarem reconhecimento e integração na sociedade, culpa dos jovens de hoje?

Não será, antes, uma herança (ou um fardo) que lhe foi deixada pelas gerações anteriores?

A autodenominada “geração à rasca” queixa-se, com propriedade, que não consegue arranjar emprego, sair de casa dos pais, comprar carro ou casa própria, que tem de sair do país para conseguir uma oportunidade, ou então aceitar estágios atrás de estágios (muitos não remunerados) ou trabalho precário com remunerações que variam, na sua maioria, entre os 500 e os 800 euros.

Este fenómeno, baptizado pelos franceses de geração dos “1000 euristas” (tenha-se em consideração as devidas diferenças salariais entre os dois Estados) tem-se propagado por outros países do sul da Europa, mas não só (Espanha, Itália, Grécia), chegando agora ao nosso país. O denominador comum é a dificuldade dos jovens licenciados conquistarem um lugar na sociedade e construírem a sua vida de forma autónoma.

Verifica-se uma grande assimetria entre a geração (anterior à minha) que teve todos os direitos (sociais, laborais, etc.) e uma geração (a actual) que se vê privada desses mesmos direitos, não tem acesso fácil a emprego, nem qualquer tipo de segurança laboral ou social e vêem, com desagrado, o legado que a primeira e segunda geração lhes está a deixar. Se não, veja-se:

Além de enfrentar um futuro instável e adverso, com emprego precário ou inexistente, das regalias sociais e das reformas a diminuir ou a desaparecer, ainda tem de pagar o défice público, evitar a falência da segurança social, garantir a sustentabilidade do SNS e do ambiente e ainda arranjar “vontade” para ter filhos e garantir a existência de gerações futuras…

Não é pois de estranhar que os jovens devolvam o epíteto “Geração rasca” àqueles que, por acção ou omissão, lhes deixaram tão pesada herança. Eles são, de facto, gente que está à rasca, mas não é rasca!

De quem é a culpa? De ninguém, em princípio, porque em Portugal ninguém é responsabilizado por coisa alguma. A culpa é dessa coisa sem rosto nem cartão de cidadão a que se chama, habitualmente, “sistema político e económico”.

Com efeito, as políticas públicas tomadas pelos sucessivos governos (de esquerda ou de direita) são orientadas pela vox populi, para alcançar a máxima popularidade no imediato. Percebe-se porquê: os governos querem ser reeleitos e, para tal, precisam do apoio popular maioritário.

Este sistema “do povo, pelo povo e para o povo” enviesa na necessidade de agradar aos eleitores, no imediato (ou, pelo menos, para os próximos 4 ou 5 anos) e inibe ou limita quaisquer medidas tomadas a longo curso que pense num futuro sustentado nos recursos disponíveis e não nos pretendidos. Estas não são consideradas válidas, necessárias ou adequadas “ao momento”, quer pela oposição política quer pela generalidade da população...

Na minha opinião, não há democracia “à séria” sem uma sociedade civil forte. Sem medo de tomar posição sobre o destino do país e que afronte o poder vigente.

Como diria um amigo há bem pouco tempo, é certo que andamos, cada um à sua maneira, e com os seus meios, a tentar desbravar um caminho para a vida. Mas um dia destes tem de chegar a hora de tomar as rédeas e tentar (pelo menos, tentar!) transformar este país num lar para uma “sociedade aberta, desempoeirada, livre e fraterna”.

Com o rumo que levamos actualmente, não chegamos lá. Assim sendo, que se manifestem os jovens e os menos jovens, que exteriorizem a sua discordância e o descontentamento pela situação em que nos encontramos todos. É nestes, e em todos os que não estão satisfeitos ou acomodados, que se encontra a base para uma mudança político-social profunda que se afigura cada vez mais como necessária.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Boom Festival

O que há dizer do Boom Festival?...
É um dos maiores (senão o maior) festival de Música Electrónica do mundo.
Os organizadores preferem chamar-lhe um evento cultural, que congrega vários tipos de arte: eventos de escultura, pintura, cinema, fotografia, decoração de espaços, consciência ecológica, esoterismo, ciências e medicinas alternativas, etc. tudo ligado por um fio condutor que é a música electrónica.

Onde é que tem lugar? Noutra galáxia!!:) Mais concretamente, em Indanha-a-Nova (perto de Castelo Branco).

Quando é realizado? Sempre de dois em dois anos, durante 8 ou 9 dias, apanhando a Lua Cheia de Agosto.
Tive conhecimento deste Festival através de amigos e familiares que lá tinham ido em anos anteriores.
Não percebia o entusiasmo em torno deste evento, pois o meu desconhecimento da matéria (e, confesso, algum juízo de valor) faziam-me pensar que se tratava de mais uma "rave".

Em 2004 o meu irmão foi convidado para lá ir lá tocar e, com esse convite, eram oferecidos algumas entradas gratuitas para os respectivos acompanhantes. Eu fui um dos contemplados.
Como nunca tinha visto o mano tocar ao vivo, era "à pala" e não tinha grandes planos para aquela semana, resolvi aceitar. Se me fartasse ao final do primeiro dia, vinha-me embora, pensei eu.

O que é certo é que me surpreendi muito (pela positiva).
Em primeiro lugar, a imensidão do espaço; estive lá 6 dias e não consegui ver tudo. De facto, a área disponível para o festival é maior do que qualquer outro realizado em Portugal (e eu já fui a praticamente todos).

Depois, a oferta cultural "alternativa". Desde workshops de pintura, escultura, Reyki, Shiatsu e outras massagens orientais, palestras e exposições sobre o calendário Maia, cozinha macrobiótica, vegetariana, sobre o ambiente e as melhores formas de o preservar, sessões de cinema alternativo, etc. E, claro, a variada oferta musical (sempre dentro do "género" electrónico).

Um aspecto que seguramente me cativou, e que para a altura (2004) era inovador, foi o desenvolvimento de um projecto contínuo de auto-sustentabilidade, de forma a não contaminar a natureza e educação para a consciência ecológica. Nestas práticas incluem-se o desenvolvimento de casas de banho que não usam químicos, o tratamento das águas do festival através de biotecnologias, a utilização de energias solar e eólica, recolha de óleos alimentares para biocombustível, a reciclagem de materiais e utilização de materiais reciclados (a organização vai, inclusive, recolher materiais de construção aos festivais de Verão), a organização do espaço do festival de acordo com os princípios da Permacultura, com a construção "eco-friendly" de todas as infraestruturas, etc. Estes conceitos foram, posteriormente adoptados pelos chamados "grandes festivais" como o Rock in Rio, entre outros.

O facto de estar no centro do meu país e praticamente não ouvir falar português (em 25.000 pessoas que ali convivem, cerca de 90% é estrangeira e proveniente de todos os Continentes), foi para mim uma experiência estranhamente agradável. Permitiu-me ter contacto (ao vivo) com outras gentes e costumes, formas de estar e de pensar, de vestir e até de comer que, na minha opinião, só me enriqueceram como pessoa.

O ambiente, a energia e o calor que ali se sente, amplificados pela música constante e ensurdecedora (em alguns locais - noutros, só se sente uma calma e paz típicos de lugares ermos e afastados de tudo quanto é "civilização") é verdadeiramente indescritível para quem, como eu, não fazia ideia do que ali se passava.



segunda-feira, 22 de março de 2010

Londres...


Tive oportunidade de visitar Londres já por 3 vezes e não me canso desta cidade!
Se tiver outra oportunidade, regresso.
Numa cidade tão descomunalmente grande, com tanta diversidade de locais e monumentos a visitar, bem como ruas a percorrer, será difícil conseguir ir a todo o lado, mas tenta-se...


Convent Garden - Adoro. Claro que está sempre cheio de turistas e é uma confusão, mas nos dias de semana esta zona é mais calminha e há mais tempo e disponibilidade para ver as lojinhas do Convent Garden Market ou as performances dos artísticas de rua inclusivé dos cantores de Ópera que por lá costumam estar.

Piccadilly Circus - Onde estão os painéis publicitários de neon que toda a gente conhece de fotografias ou da televisão. Aqui é o coração de Londres! Há muitas lojas de "recuerdos" mas são caras e de gosto bastante duvidoso...

Leicester Square - Nesta movimentada praça pode encontrar-se a Half Price Ticket Booth (uma “bilheteira” com bons preços para os fantásticos musicais em Londres, patentes durante todo o ano).

Palácio de Buckingham - giro, grande e tal... a mudança da guarda é só de manhã, por isso não vale a pena ficar à espera (como eu fiquei!)

Andando um pouco para sul, passa-se o famoso Number 10 Downing Street, a residência e escritório do Primeiro Ministro (não tem muito para ver e os guardas não deixam entrar, por mais que se implore...).
Continuando a descer a rua, encontra-se, à direita, a Abadia de Westminster (fecha às 4 e a entrada são 10 LIBRAS - dasse...) e, à esquerda, o Parlamento e o Big Ben.
 
Nunca entrei na Torre de Londres (16 LIBRAS), mas pelo que me disseram e pelas fotos, prefiro passear pelas ruas e espaços verdes envolventes. Dando a volta à torre (pela esquerda) que é, na realidade, um castelo enorme, encontra-se as Docas de Santa Catarina. Este espaço costuma ter muita gente mas é muito agradável. Andando cerca de 15 minutos nesta zona, junto ao rio, vamos ter à Tower Bridge (“Ponte da Torre”). Atravessando-a, pode disfrutar-se de uma vista muito "à frente" de Londres e do contraste entre o moderno e o medieval que a caracterizam.
 
Já na outra margem, descendo as escadas à direita, encontramos um edifício de arquitectura estranha  que é a Câmara Municipal de Londres.
A partir daqui o caminho mais agradável é seguindo sempre em frente, junto ao rio.
Ao longo do percurso (mais de 4 km) encontra-se (por ordem), o navio de guerra HMS Belfast, a Hay’s Galleria (uma zona comercial construída numas docas antigas, com diversos restaurantezinhos), a Catedral gótica de Southwark, o Shakespeare’s Globe (teatro em memória do dramaturgo), a galeria de arte moderna Tate Modern (gostando deste tipo de arte, vale a pena entrar e demorar-se um pouco – é à borla!), Gabriel’s Wharf (zona com esplanadas), os Jubilee Gardens (Jardins do Jubileu), o London Eye (a tal roda gigante com vista panorâmica para Londres), o aquário e, finalmente, a ponte Westminster que dá acesso ao Parlamento do Reino Unido.
 
A minha zona de eleição em Londres: Camden Town.
É a zona mais "fora" de Londres. Aqui podem encontrar-se gentes de todas as "formas e feitios", desde rastafaris a punks, passando pelos góticos, hippies, indies ou todo e qualquer outro estilo que seja considerado original ou "diferente". Esta é uma zona ideal para se fazer compras de roupa ou acessórios "incomuns". Tem imensos bares, restaurantes e cafés. É um local excelente para visitar com um grupo de amigos e para tirar fotos.
 
Greenwhich - Obrigatório, para quem gosta de espaços abertos e verdes. É o local onde estava o barco Cutty Sark que, no início do ano 2007 foi incendiado.

 A vila de Greenwich é muito bonita, têm imenso que ver e que fazer por lá, por exemplo, o Observatório de Greenwich, por onde passa o Meridiano com o mesmo nome.
Os jardins junto ao observatório são enormes, e entre a zona de parque e de espaços abertos, encontram-se também zonas de jardim com vários tipos de flores e até zonas com veados e outros animais. É preferível visitar Greenwich num dia de sol, para desfrutar melhor de todo o ambiente.
 
Canary Wharf - Localizada na zona oposta a Greenwich e onde fica o edificio mais alto do Reino Unido - A torre Gherkin - com forma cónica.  Esta é uma zona de negócios, recente, com uma arquitectura muito moderna que, na minha opinião é espectacular.


Nothing Hill (sim, a do filme) - Muito "trendy" com lojas de todos os tipos mas principalmente vintage, anos 60 e 70, lojas de discos antigos, antiguidades, etc. Essas lojas típicas de Nothing Hill encontram-se principalmente em Portobello Road. Nothing Hill é o local ideal para se tomar um café num dos muitos cafés com esplanada que existem nesta rua, ou então para sair à noite nos vários pubs e bares que por ali se encontram espalhados.

Soho - Um dos bairros mais conhecidos de Londres. Está mesmo ao lado de Chinatown e Convent Garden, e só a um passo de Picadilly Circus.
É um bairro que vale bem a pena percorrer, especialmente às sexta-feiras ou sábados à noite. É uma zona mundialmente conhecida pelos seus bares e zonas "recreativas" de cariz mais ou menos sexual...

China Town - Mesmo ao lado do Soho, o bairro chinês de Londres. Um lugar ideal para ir jantar num dos muitos restaurantes e buffets que oferecem boa comida oriental (não só chinesa) a um preço mais acessível.

British Museum - A sua fama faz-lhe justiça já que é gigantesco e dispõe de colecções de arte impressionantes, com peças provenientes de todo o mundo, muitas delas únicas em estilo e valor cultural.
Como muitos museus em Londres, a entrada é gratuita.
A cúpula da entrada, desenhada por Norman Foster, é fora de série.
É fácil lá ficar um dia inteiro. Tem muito para ver...
As salas de arte egípcia são as alas mais visitado do museu. De facto, são impressionantes, sobretudo as múmias.
A pedra de Rosetta, sem a qual não conseguiriamos ler os hieroglífos, é um dos ex-libris do museu. Outras peças de referência são, por exemplo, o busto de Ramsés, as esculturas do Partenón, o moai da ilha de Pascua, etc.
O Museu Britânico é, claramente, uma das atracções mais visitadas de Londres (recebe cerca de 5 milhões de pessoas por ano). Além disso, é um dos museus mais antigos do mundo, fundado em 1749. Recomendo vivamente.